
Patos, capital oficiosa do sertão paraibano, já foi lembrada pelo calor humano — hoje, o calor que mais se sente é o da impaciência e da desordem cotidiana. Na Arena do Sol, espaço que deveria simbolizar lazer, saúde e civilidade, o que reina é mais uma modalidade muito nossa: o egoísmo travestido de rotina.
A avenida que contorna a arena virou uma armadilha. Carros se amontoam dos dois lados da pista como se o espaço público fosse uma garagem coletiva — sem regra, sem limite e, principalmente, sem noção. Mal passa um carro popular. Caminhão? Só com reza e milagre.
E aí vem o clássico argumento dos especialistas em desculpa:
— “Mas o trânsito ali é pouco…”
Pouco, sim. Porque as pessoas evitam passar. Porque o lugar, antes de ser engarrafado por veículos, foi interditado pela insensatez. A baixa circulação não é sinal de tranquilidade — é sintoma de desistência.
O mais revoltante é que existem vagas suficientes nas imediações. Algumas com vigilância por câmeras da própria arena e dos armazéns vizinhos. O problema não é falta de espaço — é falta de consciência. O sujeito prefere parar onde for mais cômodo para ele, ainda que isso cause um transtorno coletivo.
“Cada um cuida do que é seu, mas esquece do que é de todos.”
Já dizia o apóstolo Paulo, em Filipenses 2:4:
“Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.”
Mas na prática, o que se vê é o inverso: um evangelho às avessas, onde o “próximo” só é lembrado se não atrapalhar a minha vaga.
É por isso que a STTrans precisa sair da arquibancada e entrar em campo. Fingir que não vê esse absurdo é conivência. O direito de ir e vir, que já é vítima da violência e das facções, agora é pisoteado também por cidadãos que estacionam a ética junto com o carro.
Patos vive uma epidemia silenciosa e perigosa: a do déficit lógico-funcional. Não se trata de deficiência física. É a cegueira moral de quem não enxerga que seu conforto está impedindo a passagem — não só de veículos, mas da decência e do respeito. E tudo isso justamente num espaço público que deveria promover a convivência.
O que era para ser um lugar de esporte e cidadania virou uma arena de vaidades — onde o bom senso perdeu por WO.
Nota de Rodapé:
WO (Walkover) é um termo esportivo que indica vitória por ausência de adversário. Ou seja, nem houve jogo — porque o outro lado nem apareceu. Em Patos, quem não apareceu foi a lógica. E, pelo visto, nem se inscreveu na partida.
CR10 na área, “BILANDO” a cidade.