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Lula cria gargalo logístico por suspender hidrovias

Então, a violência venceu, o progresso perdeu.

Célio Martinez
Por: Célio Martinez
26/02/2026 às 11h43
Lula cria gargalo logístico por suspender hidrovias

Eduardo Oinegue em 25/02/2026

No Brasil, invadir e depredar compensa. Bloquear estradas, ocupar terminais, vandalizar instalações privadas... tudo isso pode dar certo. E a prova mais recente dessa vergonhosa constatação foi dada pelo governo federal.

Depois de semanas de bloqueios, invasões, depredação em instalações logísticas no Pará, o Palácio do Planalto revogou um decreto que autorizava estudos para concessão de hidrovias. O governo olhou a bagunça, olhou para as câmeras e cedeu. Pressão, depredação, capitulação.

O rito do atraso executado com perfeição por indígenas da região do Tapajós, apoiados por ONGs, como o Instituto Socioambiental, Amazon Watch e uma tal Apib. Bloquearam estrada, interceptaram embarcação, invadiram o terminal da Cargill em Santarém — uma das maiores estruturas de exportação de grãos do Brasil. Vandalizaram as instalações.

Aí, para completar, contaram com o respaldo da Funai. Um órgão do governo federal trabalhando ativamente contra uma decisão do governo. Na escola, as crianças aprendem que tem que dialogar. Só que daí elas vão para o noticiário e descobrem que não precisa. Que quebrar funciona. E funcionou mesmo.

O governo, de joelhos, cancelou o decreto. E o que foi revogado não era uma obra, não tinha máquina, não tinha canteiro, não tinha concreto. Papel. Um decreto autorizando estudar a possibilidade de conceder rodovia. Mas o governo não resistiu, recuou mesmo.

Você vai numa hidrovia, uma barcaça carrega de uma vez o que você precisa de mais de mil caminhões. Aí quando você pega a diferença de combustível, é um absurdo. Uma tonelada de grãos transportada por rodovia consome nove vezes mais diesel do que na hidrovia.

Por isso que, nos Estados Unidos, 60% da soja viajam por rios até o porto. E aqui, 70% por caminhão. Que é o modal mais caro, mais poluente e o que mais mata. Então, de que adianta? O Brasil tem a maior rede hidrográfica do planeta e usa 12% para transporte. Isso não é política ambiental, é desperdício.

O frete, que tem a ver com isso, pode representar aqui no Brasil até 30% do valor final da soja. E dá para derrubar com hidrovia; nos Estados Unidos fica em 10%. E essa diferença acaba sendo a diferença entre quem ganha e quem perde no mercado global.

Aí, depois de semanas dessa pressão, o Palácio do Planalto revogou o decreto que autorizava, como eu falei, estudos para concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Então, a violência venceu, o progresso perdeu.

A revogação do decreto é uma vergonha, mas é também um vexame o sinal que essa revogação manda. Bloqueios funcionam, invasões funcionam, depredar um terminal produz resultado político imediato. Esse precedente é uma bomba de efeito retardado. Nenhum investidor ignora isso. O risco institucional aumenta no Brasil, o capital recua e o Brasil fica para trás.

Com ampla experiência em grandes coberturas, Oinegue traz análises do cenário político atual e reflexões sobre a relação da sociedade com o Estado.

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