
"Uma aparição pascal antecipada, mas também dom de amor infinito de Deus, que mostra a glória da ressurreição", nos disse numa homilia o saudoso Papa Francisco sobre a Transfiguração de Jesus no alto da montanha. No AT, a montanha é o lugar da manifestação, do encontro com Deus, onde ele faz a aliança com seu povo e entrega as tábuas dos mandamentos.
Pedro, Tiago e João, discípulos que mostraram uma enorme dificuldade de entender o messianismo sofredor de Cristo, são contemplados com a glória divina. Diante da beleza inexplicável do momento, querem permanecer na montanha.
Nós também queremos um 'cristianismo light' longe dos desafios pastorais, trancafiados em sacristias, celebrações pomposas, louvores e missas marcadas pelo choro, pela emoção incontida. Jesus nos provoca a desinstalação, a ir ao encontro dos sofredores, da cruz que pesa na vida de tantos 'irmãos sem moradia decente', sem o mínimo de dignidade para viver, tendo os seus direitos desrespeitados, como nos exorta a Campanha da Fraternidade deste ano.
Transformados pela presença luminosa de Cristo, 'escutando-o', seremos assim um sinal concreto do amor vivificador de um Deus que nos ama de forma gratuita.
Subamos a montanha para ouvir o filho amado do Pai. Desçamos dela com a coragem de evangelizar o mundo sofrido.
Semana abençoada para você!