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Aumento do petróleo afetará o Brasil se barril chegar a US$ 100, diz Tesouro

Segundo Ceron, o impacto inflacionário é limitado neste momento devido à valorização do real frente ao dólar.

Por: Redação Fonte: Gazeta do Povo
02/03/2026 às 12h35
Aumento do petróleo afetará o Brasil se barril chegar a US$ 100, diz Tesouro

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou nesta segunda (2) que a escalada da guerra no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel pode impactar a economia brasileira caso o preço do petróleo ultrapasse os US$ 100. No entanto, avaliou que, no cenário atual, não há risco relevante de inflação no país enquanto o barril se mantiver entre US$ 75 e US$ 85.

A nova guerra fez o preço do petróleo começar o dia cotado a, no máximo, US$ 80 nos mercados internacionais, com uma alta preocupação de analistas a depender de como o conflito se desdobrará nos próximos dias. Segundo Ceron, o impacto inflacionário é limitado neste momento devido à valorização do real frente ao dólar.

“A pressão inflacionária que ele gera é relativa, uma vez que a gente também está vivenciando uma apreciação cambial significativa. “Claro que isso pensando em um cenário de uma tensão e incerteza até certo ponto controlável, não num cenário de barril acima de US$ 100”, disse em um evento do jornal Valor Econômico.

Rogério Ceron ressaltou que o Brasil, por ser exportador de petróleo, pode até se beneficiar de preços mais elevados no mercado internacional. Ele apontou que a alta do produto fortalece a balança comercial e amplia a arrecadação pública por meio de royalties e leilões, com efeitos que, segundo ele, “não são pequenos”.

“Não deixa de ser uma espécie de porto seguro para o mundo para diversificar a sua alocação de portfólio. Num cenário como esse, obviamente dentro de limites, de riscos, o Brasil está bem posicionado e ele é, provavelmente, tudo mais constante, ele é um ganhador nesse processo”, pontuou.

No pregão desta segunda (2), além da disparada do preço do petróleo, a ação dos Estados Unidos e Israel contra o Irã fez o dólar disparar e chegar a R$ 5,21.

Ainda na avaliação de Rogério Ceron, o atual nível do petróleo não deve alterar, por ora, a trajetória da política monetária conduzida pelo Banco Central. Ceron indicou que um aumento mais forte poderia antecipar o fim do ciclo de queda de juros, mas não impactaria imediatamente as decisões.

“Me parece que está um cenário traçado e, obviamente, a princípio, não tem um efeito relevante neste primeiro momento se [o petróleo] ficar mais ou menos nesse patamar, dada a apreciação cambial que aconteceu”, completou.

Ceron lembrou que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% em janeiro e sinalizou cortes nas próximas reuniões, caso o cenário evolua conforme o esperado.

Uma ação conjunta dos Estados Unidos e Israel no sábado (28) realizou uma ofensiva aérea contra alvos estratégicos no Irã, alegando a necessidade de conter o programa nuclear iraniano, levando à morte o líder supremo do país, Ali Khamenei, além de outras autoridades militares de alto escalão.

Em resposta, o país persa empreendeu um grande ataque com mísseis a alvos ligados aos dois países, principalmente bases norte-americanas e estruturas civis em localidades de nações como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes.

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