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Brasil cresce abaixo da média global em 2025 e deve perder posição

Entre os países emergentes, destacam-se Israel e Polônia, ambos com crescimento acima de 3% no ano.

Por: Redação Fonte: Estadão
04/03/2026 às 11h40 Atualizada em 04/03/2026 às 15h04
Brasil cresce abaixo da média global em 2025 e deve perder posição

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2025 ficou abaixo do desempenho esperado para a economia mundial no ano passado. Com isso, a expectativa é que o país perca posições no ranking das maiores economias globais pelos dois critérios utilizados para fazer essa comparação.

Entre as cerca de 30 economias monitoradas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a Irlanda foi o país que mais cresceu em 2025. A alta de 6,7% na Irlanda foi sustentada sobretudo pelas multinacionais de tecnologia que têm sede no país.

Nesta terça (3), foi divulgado o PIB do Brasil, que cresceu 2,3% no período. Foi o quinto ano consecutivo de alta, mas a taxa foi a menor nesse período. Nos quatro anos anteriores, a expansão ficou em 3% ou mais —em 2024, o avanço foi de 3,4%. A desaceleração era aguardada devido ao cenário de juros altos para conter a inflação.

Outro destaque do ano passado foi a economia da China, que cresceu 5%, atingindo a meta do governo. A expectativa, no entanto, é de desaceleração em 2026. No quarto trimestre, a economia chinesa cresceu 1,2% em relação ao ano anterior, desacelerando para o nível mais baixo em três anos, devido à retração do consumo e do investimento nesse período específico.

Entre os países emergentes, destacam-se Israel e Polônia, ambos com crescimento acima de 3% no ano.

Apresentaram desempenho próximo ao do Brasil economias avançadas como Estados Unidos (2,2%) e Noruega (2,2%). Na Europa, a Espanha cresceu 2,6%, bem acima da média da Zona do Euro (1,3%), enquanto a Alemanha cresceu apenas 0,4%.

Na parte de baixo da tabela, ficaram também Canadá (0,7%) e o Japão, que só cresceu 0,2%, reforçando o quadro de estagnação prolongada.

MAIORES ECONOMIAS

Em seu relatório mais recente, o FMI (Fundo Monetário Internacional) projetava que a Indonésia deveria ultrapassar o Brasil em 2025 e se tornar a sétima maior economia do mundo, de acordo com o ranking da instituição que utiliza o critério do poder de paridade de compra das moedas locais. O país asiático cresceu 5,1% em 2025. Com isso, o PIB brasileiro cai para a oitava posição.

Já no ranking em dólares sem esse ajuste, o Brasil cairia da décima para a 11ª posição, ultrapassado pela Rússia, segundo estimativas do Fundo. Esse critério de classificação tende a ser muito afetado pela questão cambial. A Rússia cresceu apenas 1% no ano passado, mas a valorização da sua moeda no ano superou a do real. Em 2024, o Brasil perdeu a 9ª posição para o Canadá.

O FMI prevê um crescimento do PIB global de 3,3% em 2025 e 2026, segundo projeção divulgada em janeiro deste ano.

Para o Brasil, a expectativa é de nova desaceleração da economia neste ano, para 1,8%, de acordo com as projeções da pesquisa Focus do Banco Central. O próprio BC esperava crescimento de 2,3% em 2025 e projeta expansão de 1,6% em 2026. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estima uma expansão de 2,3% neste ano.

O FMI tem revisado as taxas de crescimento globais para cima desde julho do ano passado, diante da avaliação de que as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos a outros países foram menores do que o inicialmente previsto. Além disso, as empresas conseguiram se ajustar às tarifas, com realocação de vendas para outras nações.

O Fundo avalia ainda que investimentos em tecnologia, suporte fiscal e monetário e condições financeiras favoráveis ajudam a compensar as mudanças na política comercial americana.

Ranking do PIB de 2025

Irlanda - 6,7

Indonésia - 5,1

China - 5,0

Israel - 4,4

Polônia - 3,6

Dinamarca - 3,0

Espanha - 2,6

Letônia - 2,5

Lituânia - 2,5

República Tcheca - 2,4

Brasil - 2,3

Estados Unidos - 2,2

Colômbia - 2,2

Noruega - 2,2

Suécia - 2,0

Portugal - 1,9

Países Baixos - 1,7

México - 1,6

Eslovênia - 1,6

Coreia do Sul - 1,5

G7 - 1,5

Zona do Euro (20 países) - 1,3

França - 1,2

Reino Unido - 1,0

Rússia - 1,0

Eslováquia - 0,8

Itália - 0,8

Estônia - 0,8

Áustria - 0,7

Canadá - 0,7

Hungria - 0,5

Suíça - 0,5

Alemanha - 0,4

Finlândia - 0,3

Japão - 0,2

Fontes: OCDE e IBGE

 

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