
O Plenário da Câmara aprovou, por unanimidade, projeto (PL 4254/25) que reconhece a poesia do Pajeú como manifestação da cultura nacional.
O Pajeú é uma região geográfica e cultural do sertão de Pernambuco, cortada pelo rio do mesmo nome, o maior afluente do São Francisco. Ali estão localizados 17 municípios, o maior deles, Serra Talhada.
Mas o que todos esses lugares têm em comum não são apenas o rio ou o semiárido. A região é conhecida pela poesia popular, o cordel, o repente e a glosa, um tipo de poema que se desenvolve a partir de um mote, que se repete como refrão.

O autor do projeto, deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE), explicou que a poesia do Pajeú forma um complexo cultural e comunicativo de tradição oral espalhado por municípios como São José do Egito, conhecido como Capital da Poesia.
Ele justificou o reconhecimento nacional para a poesia da região, usada até mesmo nas atividades escolares da região.
“E quem conhece o Pajéu sabe que, se você for na padaria, você conversa com o padeiro, pede a ele um poema, ele te manda um poema. Você vê os velhinhos jogando dominó na praça, pede a ele, às vezes dá até um mote que ele faz uma rima. E esse é um reconhecimento que o nosso país devia àquele povo. O reconhecimento que essa cultura, ela pode, sim, emancipar as crianças, se a gente consegue levar a cultura e a poesia para as escolas.”
O projeto teve como relator o deputado Carlos Veras (PT-PE), que é da região do Pajeú. Para ele, o reconhecimento da poesia local como manifestação da cultura nacional corrige uma lacuna histórica e aumenta a importância de uma tradição responsável pelo imaginário e pela identidade do sertanejo.
Alguns deputados recitaram poemas da região para justificar o apoio, como Pedro Campos (PSB-PE), que leu trecho do poeta Rogaciano Leite, de São José do Egito.
“Aos críticos. Senhores críticos, basta deixar-me passar sem pejo que um trovador sertanejo vem seu pinho dedilhar. Eu sou da terra onde as almas são todas de cantadores. Sou do Pajeú das flores, tenho razão de cantar. Não sou Manuel Bandeira, Drummond, nem Jorge de Lima. Não espereis obra-prima desse matuto plebeu. Eles cantam suas praias, palácios de porcelana. Eu canto a roça, a cabana, canto o sertão que ele é meu.”
O projeto que reconhece a poesia do Pajeú como manifestação da cultura nacional seguiu para análise do Senado.