
Na Alemanha de Hitler, era preciso eleger um inimigo. Deram-lhe nome, rosto e culpa: os judeus. Reescreveram a realidade com tinta de mentira e carimbo estatal. A crise? Culpa deles. A derrota? Também. Até a febre alemã servia de justificativa. Assim nasceu o “nós contra eles” mais macabro da história moderna.
Corta para o Brasil — isto é, saímos da Alemanha nazista… e agora, observe o Brasil de 2025.
O roteiro mudou, mas a direção continua a mesma: o fanatismo. Agora, o herege é quem não venera Lula. Discordar virou crime. Criticar, heresia. Questionar, prova de inimigo da democracia — mesmo quando se o faz em nome dela. A idolatria que antes habitava os altares agora tem CPF, fundo público e blindagem institucional.
Orwell não apenas previu. Ele alertou:
“Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro. Se isso for garantido, tudo o mais vem por si mesmo.”
Mas aqui, quem insiste que dois e dois são quatro é levado ao inquérito das fake news. O novo catecismo é progressista, o novo tribunal é o noticiário, e o dogma central é simples: se não for Lula, é “bolsomínio” e antidemocrático.
A esquerda não quer Bolsonaro apenas fora do jogo. Quer na cadeia.
Não por seus atos, mas pelo que simboliza: resistência. Ele virou um espantalho funcional — assusta a elite, mobiliza militância e justifica qualquer arbítrio. Como o comunista no imaginário nazista, Bolsonaro hoje representa tudo o que precisa ser apagado para que a hegemonia se sustente. E hegemonia, sabemos, é censura com um nome mais elegante.
As redes, que um dia simbolizaram liberdade em tempo real, agora sofrem asfixia institucional. O código-fonte virou prova de crime, o meme virou discurso de ódio e a sátira, um risco jurídico. Se antes se queimavam livros, agora se deletam perfis. Não se eliminam ideias — eliminam-se os emissores.
“Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.”
— Orwell, mais uma vez, socando a porta da razão.
O tribunal das redes julga a dúvida como crime hediondo. O contraditório virou bolsonarismo por associação. A pluralidade virou ameaça. O STF virou oráculo; a imprensa, cartilha; e o algoritmo, cão de guarda. Enquanto isso, Lula é tratado como um novo Moisés — mas sem tábuas da lei, apenas com decretos.
E para quem duvida, o cenário se agrava. Em discurso recente na China, a primeira-dama Janja sugeriu que o Brasil “copie o modelo de controle de redes sociais chinês” — um sistema onde a liberdade de expressão é um artigo censurado por algoritmo e decreto. O ministro Gilmar Mendes reforçou a tese ao dizer que “talvez devamos importar modelos asiáticos de regulação”, e o STF já formou maioria para aprovar a regulação das redes, à revelia do Congresso Nacional. A censura se instala — não mais com coturnos, mas com togas.
A democracia brasileira desfila em salto alto sobre o fio da navalha. À frente, o líder com megafone. Atrás, uma militância vendada que aplaude cada passo rumo ao abismo. Os dissidentes são arrastados de volta ao rebanho por decisões judiciais que não admitem apelação moral. A dúvida é punida com lacração. O riso, silenciado por precaução. Afinal, onde há riso, há pensamento — e onde há pensamento, há perigo.
Não, não é exagero. É o alerta que ninguém quer ouvir.
O nazismo não começou com câmaras de gás. Começou com frases suaves como:
“É para proteger a democracia.”
“Estamos combatendo o discurso de ódio.”
“Quem discorda está do lado errado da história.”
E, como sempre, a história ri por último. E ri alto.
Aqueles que ontem bradavam “Fora, ditadura!” hoje entregam flores ao censor.
O grito por liberdade virou sussurro… em nome da ordem.
Prepare-se para a próxima cena.
Spoiler: querem prender o mocinho. O vilão? Foi “descondenado” e condecorado com o título de Doctor Honoris Causa, oferecido por universidades ideologicamente alinhadas — como a de Salamanca, a de Buenos Aires e até a de Pequim.
CR10 na área “BILANDO” a cidade.
Nota pé:
George Orwell (1903–1950), pseudônimo de Eric Arthur Blair, foi um escritor britânico que desnudou regimes totalitários, alertou contra a manipulação da linguagem e denunciou o controle do pensamento. Em “1984” e “A Revolução dos Bichos”, Orwell expõe como o poder, uma vez absoluto, transforma a verdade em ferramenta de dominação. Ele não escrevia para agradar, mas para despertar.