
Na reta final que antecede o segundo turno das eleições 2026, o governo adiantou em todas as regiões o cronograma de pagamentos do Bolsa Família referente a outubro. Já nesta segunda-feira (19), as parcelas passam a incluir o reajuste de 15,04% estabelecido pela gestão Lula.
A alteração faz com que o pagamento a todos os beneficiários se encerre nesta quarta-feira (21), ou seja, quatro dias antes de a votação ocorrer no domingo (25).
Novembro e dezembro também terão seus repasses adiantados. O governo justifica o movimento como uma precaução frente aos perigos associados ao El Niño: esse fenômeno climático tem potencial para provocar estiagem em certas áreas do território nacional e tempestades em outras.
A ordem dos pagamentos segue organizada conforme o dígito final do NIS (Número de Identificação Social); caso não houvesse a antecipação, eles se encerrariam apenas no dia 30.
Veja o novo calendário de outubro
Os pagamentos foram concentrados em apenas três dias, conforme o final do NIS:
Receber o valor logo na data inicial do calendário costumava ficar restrito às famílias de cidades que tivessem reconhecimento federal de situação de calamidade pública ou de emergência. O que muda agora é a extensão desse agrupamento de datas a todos os beneficiários.
Quanto passou a valer cada benefício
Divulgada em setembro, a correção fez o valor mínimo transferido a cada família passar de R$ 600 para R$ 691. Houve ainda ajuste nas parcelas complementares:
Nenhum pedido é necessário: a folha de outubro já incorpora os reajustes de forma automática, com efeitos financeiros retroativos a 1º de outubro. Conforme o governo explicou, a atualização repõe a inflação que se acumulou desde que a versão em vigor do programa começou a valer, em março de 2023.
A variação do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 é a base do ajuste estabelecido pelo decreto 13.120.
Como e onde sacar
Responsável por executar os pagamentos, a Caixa Econômica Federal obedece ao cronograma estabelecido pelo MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome). Identificar o dia correto exige apenas olhar o número final do NIS e cruzar essa informação com o calendário.
Pelo aplicativo Caixa Tem é possível movimentar os recursos. Para quem opta por receber em espécie, o saque acontece em caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui mediante o cartão do beneficiário.
A retirada também funciona por biometria em caixas eletrônicos e casas lotéricas, mesmo quando o cartão não está disponível.
Quem tem direito ao Bolsa Família
O Bolsa Família surgiu em 2003 como parte do Programa Fome Zero e destina renda a famílias que vivem na pobreza e na extrema pobreza. A adesão exige inscrição no CadÚnico e renda familiar que não ultrapasse R$ 218 mensais por pessoa.
Para chegar a esse valor, somam-se os ganhos de todos os que dividem a residência (pais, cônjuges, companheiros, filhos, enteados ou irmãos), resultado depois dividido pela quantidade de moradores.
Não entram nesse cálculo os programas de transferência de renda (incluindo o próprio Bolsa Família), os benefícios públicos de caráter temporário e as indenizações recebidas por danos morais ou materiais.
Ao limite de renda somam-se obrigações nas áreas de saúde e educação. São elas: realização do pré-natal pelas gestantes, vacinação atualizada conforme o calendário nacional, acompanhamento do estado nutricional das crianças abaixo de sete anos e presença escolar que atinja ao menos 60% entre os 4 e 5 anos e 75% dos 6 até antes dos 18 anos, para quem ainda não terminou a educação básica.
Na hora de matricular e de vacinar, cabe à família declarar que recebe o benefício do programa.